quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ceticismo da minha vida

Eu hoje me peguei tentando mais uma vez soterrar uma lembrança do passado. E eu literalmente imagino ela sendo soterrada por areia enquanto eu a revejo no meu arquivo mental e eu soterro tantas vezes na minha imaginação que um dia ela simplesmente vai embora e eu páro de pensar nela com detalhes, vou esquecendo as partes. Eu faço isso com tudo que eu sinto saudade, com todas as coisas que me deixam tristes, mas que um dia me fizeram feliz. 

Não, eu não fui sempre assim, em algum momento da minha vida eu era o oposto de tudo isso. Quando foi que virei essa pessoa cética ao máximo? A única saudade que me permito sentir atualmente é do Rio, que sempre rende meus posts enlouquecidos nesse blog discorrendo sobre como sinto falta do meu mundo e as vezes me permito sentir saudades dos meus amigos de colégio. Mas fora isso, qualquer outra lembrança que me dá saudade, que me faz sentir frágil, que me faz duvidar da minha racionalidade, eu simplemente faço questão de tentar passar uma borracha (ou uma areia, não sei porque jogo areia, ainda tenho questionamento sério a respeito disso). 

Acho que comecei a fazer isso no mesmo momento em que passei a desacreditar em para sempre, em nunca, em amores incondicionais, tirando o da minha mãe, e de felicidades plenas. Uma amiga hoje me mandou um texto sobre como o presente é a nossa felicidade, que o passado nos deixa apegados e que o futuro são promessas vazias de coisas que não sabemos mesmo se vamos conquistar. Tem uma frase feita muito boa que diz: "a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás e só pode ser vivida olhando-se para frente".  Acho que o que faz a vida é o equilibrio de saber olhar o passado com carinho, ver as falhas, aprender com os erros, e saber enxergar as milhares de possibilidades do futuro.

Por isso tenho medo de que esse ceticismo exacerbado pode causar em mim, uma pessoa com memórias soterradas que deixou de fazer planos para o futuro com medo dos planos naufragados do passado. O que aprendi olhando para trás foi que não quero ver mais o atrás e tenho mais medo ainda de pensar no pra frente.  Ótimo, né?

No dia em que me demiti do meu ultimo emprego eu parei, eu simplesmente desisti do futuro. Não que eu tenha cruzado os braços, mas eu simplesmente parei de elaborá-lo. Eu larguei tudo que eu mais amava por uma coisa que não significava nada para mim. Acho que ainda tô tentando, até hoje, administrar essa decisão. Nesse meio tempo eu fui soterrando o que me lembrava outras épocas, fui desacreditando em tantas coisas, que as vezes sou só uma fotografia borrada da menina cheia de sonhos bobocas com 15 anos. 

Eu quis essa mudança, mas agora, tantos anos de adestramento para sentir cada vez menos, me pergunto se essa era a resposta para minhas angústias adolescentes. Ainda não tenho pergunta respondida, talvez eu nunca tenha e fico assim, cheia das minhas memórias soterradas, futuros incertos me indagando qual foi a curva que eu virei que me trouxe até aqui. 


domingo, 22 de abril de 2012

Nostalgia American Pie


Quando eu tinha 15 anos, no longínquo ano de 1999, eu fui assistir American Pie, o primeiro, com os meus melhores amigos na época, aqueles que estão com você quase todas as horas do seu dia, afinal eu ainda estava no colégio e passava muitas horas lá. Na época eu era como os adolescentes do filme, a minha vida era aquela, com festas de final de semana, idas a praia (tá, eles iam no lago) e tinha a certeza absoluta que seria perfeito eternamente igual com os mesmos amigos, porque eu nunca podia imaginar porque faria novos amigos quando eu já tinha os melhores amigos do mundo.
Ontem fui ver o novo filme da franquia e eles estão velhos e mal se veem, e foi tão cheio e de identificação de novo, como quando eu tinha quinze anos e aquela era a minha realidade e agora essa é a minha realidade, de contas, trabalho e mal ver os amigos dessa época, mas ter a certeza de que eles são parte dessa fase fácil, adorável e incrivelmente gostosa da minha vida. Tenho certeza de que todo mundo que assistiu o primeiro e regulava com a idade dos personagens vai entender exatamente a que eu estou me referindo aqui. E eles também falam sobre isso, como a vida agora é outra e eles tem filhos, tem responsabilidades e o colégio é só uma época distante. 
No final do ano passado tive a minha reunião de 10 anos e foi exatamente igual a deles, cheio de nostalgia, de boas lembranças, de sensações. O filme é bobinho, exatamente como o primeiro, o segundo e o terceiro (ignoro os que não tem os personagens originais), mas assim como todos os outros, ele faz o seu trabalho de arrancar boas gargalhadas com as situações impossíveis que eles se envolvem e ao mesmo tempo te levar para esse lugar mágico cheio de saudades de melhores amigos, primeiros amores e provas de matemática, um tempo bom que não volta mais, mas sempre vai ser parte de quem você é, hoje e sempre.


domingo, 8 de abril de 2012

Coração apertado



Agora eu finalmente tenho uma casa só minha em São Paulo. Com a mudança do meu namorado em fevereiro, nós tivemos que correr atrás de um cantinho só nosso e com isso veio um contrato de um ano e meio que me diz com todas as letras: minha querida você ainda vai ficar nesse canto um bom tempo. E as vezes me pergunto como as pessoas não entendem o sufocamento que isso me dá. Não espero que minhas palavras aqui façam isso mais "entendível" para quem não vive dentro de mim. Mas São Paulo tem um grave problema, você anda, anda e NUNCA chega no Leblon. Eu sei que deveria ser só alegria e achar incrível estar montando um apê lindico com uma vista para um monte de prédio. Não me levem a mal aqui, eu estou feliz, mas quando vejo uma foto como essa ai em cima, meu coração fica apertadinho. Porque sei que cada vez mais isso é só finais de semanas esporádicos na minha vida. E eu sou o Rio de Janeiro, estar longe daqui é estar longe de um pedaço muito grande de mim mesma. 
Hoje fui tirar mais algumas coisas do meu já reduzidissímo armário na casa dos meus pais, e o coração ficou miudinho de novo. Cada vez que levo mais coisas para Sampa, mais parece que voltar é uma realidade muuuuuito distante. 
São Paulo me deu muita coisa, mas muita coisa mesmo. Me deu uma independência que eu achava que não teria antes dos 40 no meu trabalho antigo. Me deu coragem de largar toda minha zona de conforto e começar do zero, num trabalho novo, com amigos novos, longe da minha família, longe de tudo que me é familiar e longe do meu cheirinho de maresia e idas a praia só atravessando duas ruas ou numa viagem curtinha de bicicleta. Me deu possibilidades novas, me deu redescobertas, me deu todas as viagens incríveis e possibilidades de viagens futuras. Me deu pedaços novos de mim e me deu novas pessoas na minha mesa principal. Me mostrou que eu sou sempre capaz de me reinventar, me provou que estar longe não significa estar longe e que quem importa sempre está aqui, sabe? Bem aqui ó. 
Mas me deixou looonge do estilo de vida que eu tanto amo. Eu sempre soube usar da minha grife de estilo de vida carioca com esbajamento marrento que é peculiar a quem olha na janela e vê sempre o cara de braços abertos, ornando com as montanhas e os mares aqui embaixo. Eu sei que isso aqui é para poucos e sempre soube aproveitar cada dia de sol, mesmo no inverno, para pegar minha canga, minha bicicleta, passar no BB Lanches, lagartixar na praia até as 17hs e terminar com um almojanta no Veloso, Devassa, Jobi ou Braseiro da vida. E sim, meu contrato de 18 meses só me faz pensar que esses dezoito meses vieram para se juntar as 18 meses que já se passaram, e os muitos 18 meses que teimam em me dizer que ainda vem por ai. 
E quando me perguntam, mas por que você veio? A vontade é dizer: porque sou louca e sempre sonhei em morar no meio de prédio, ter rinite alérgica em doses que não imaginava possível e ser sacaneada pelos erres e esses com sons distintos. Mas a verdade é que fui porque sabia que era a única forma de crescer profissionalmente, porque era A oportunidade, porque ser gente grande é saber que não se pode ter tudo. E olha que todo mundo que me conhece sabe que eu quero tudo sempre.  
Não tentem entender não, não é entendível. Tem muito carioca em roamming paulixtano que não me entende. Meu namorado mesmo, me acha bem maluca e insatisfeita, mas tem alguns, uns malucos como eu por ai, que sabem exatamente o que eu sinto por esse cantinho de cá e não precisa ser carioca, não, viu? Uns paulixtas andaram me surpreendendo me mostrando que não precisa nascer por aqui, ter começado a ir a praia sozinho com 10 anos, ter marra, falar bixcoito globo e ter estudado 11 anos no Leblon e mais 6 na Praia Vermelha para saber que isso aqui é a mais. Tô falando para mim, mas digo pra cidade também, me espera Rio, você é meu cantinho mais que preferido no mundo. E eu sei que parei de fazer planos de longo prazo em 2010 e tenho poucas certezas na vida, mas essa é uma dela, um dia, antes cedo do que tarde, eu volto pra você.  Nesse meio tempo, respira, conta até dez e aproveita esse gostinho de independência que São Paulo colocou na minha boca, por quantos mais 18 meses forem necessários.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Sobre mudanças agora

Há não tanto tempo atrás escrevi um post sobre mudanças, sobre como elas me apavoram, mas ao mesmo tempo eu sou capaz de adorá-las. Porque mudanças são respostas, são começos de vida nova. Afinal, every new beginning comes from some other beginning's end. E 2012 está sendo mais um ano par de grandes mudanças, como todos os anos pares da minha vida (ou a grande maioria deles). E mudanças servem como socos no estômago e fazem querer quase fugir, me fazem pirar e fazer as coisas todas ao contrário, mas no fim, elas são tudo que eu preciso, são tudo que eu queria, mesmo que eu hiper ventile quando elas são jogadas no meu colo no meio de uma tarde qualquer. 

Acho que eu nunca vou ter todas as respostas, acho que nunca vou ter todas as certezas e acho que tudo é um pouco bitter berry, but is very sweet, on a roller coaster, but I'm on my feet.  O que importa é que não acredito em muita coisa, posso ser julgada como agnóstica, cética, desiludida, mas eu chamo de realista, de pé no chão, de herança materna, mesmo sendo ela totalmente o oposto de tudo que eu acredito e faço. Mas eu preciso fazer as coisas no meu tempo, do meu jeito, a minha maneira e na hora que julgo melhor. E que venha essa nova vida, que me assusta por todas as possibilidades que ela inspira, que me dá frio na barriga,  que tem tudo para ser a mais radical de todas, com trapos juntos na máquina de lavar, com contas para dividir, com discussões sobre o tamanho e a cor do sofá, com o pé enroscado na hora de dormir, o deitar no peito, o discutir sobre o filme que vamos ver no sábado a noite, mesmo que ele não goste de cinema, a programação de domingo de esportes e a óbvia razão pela qual precisamos de duas TVs. Que venha o bom e o ruim, que venha o preto e o branco e todas as outras cores e nuances de cinza que existem em uma relação a dois que agora vão dividir o mesmo teto. Que venha a vida e me surpreenda com tudo que ela pode surpreender. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

A teoria das duas mesas

Ando meio filósofa essas últimas semanas, especialmente a última. E tenho pensado cada vez mais sobre a minha teoria da vida, de que realmente existe muita coisa incrível por ai e que a vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida.  
Eu sempre brinco que a minha vida é composta por duas mesas: a das pessoas que me importam, que fazem toda a diferença para mim, que eu vou parar no meio do dia para acompanhar num programa de índio, que vou ficar feliz porque a pessoa está feliz, que vou apoiar e ficar até o final da festa só para segurar a mão, e a mesa dos que praticamente não existem para mim.
Eu sou uma people person, não ligo muito aonde, mas muito mais com quem. Ao mesmo tempo sofro de um desligamento agudo e uma preguiça descomunal de colocar mais pessoas na minha mesa. Por isso digo que a maioria das pessoas passa desapercebidamente não por maldade, mas só por acreditar que quem eu escolhi para estar ali já faz um trabalho muito incrível.
E a verdade é que a maioria das pessoas é assim, tem suas duas mesas e passa a vida organizando os objetos da mesa relevante. Isso porque o lugar não é cativo na mesa principal, existe toda uma relação de confiança que te faz chegar ali. E confiança, tenha certeza, é quase como programa de milhagem, você tem que ser muito fiel e se esforçar para ganhar um gold, mas fica sem voar para ver o que te acontece! Acredito que a única pessoa que nunca vai deixar de ser gold na minha vida é a minha mãe, o resto, enfim, o resto tem que viajar todo final de semana sempre pela mesma companhia. 
Não faz diferença de como você chama suas mesas, de como você organiza as pessoas da sua vida, o que eu sei, é que no fim do dia, o que importa é o te faz chegar lá com mais sorrisos, mesmo que com mais calorias. Afinal, todo mundo que me conhece sabe que na metáfora das mesas, a minha só teria sobremesas, de preferência de Nutella. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A dura vida de uma pessoa sem smartphone

Já relatei no post anterior que fui assaltada e não vou ficar aqui discorrendo sobre a minha desgraça e idiotice. Nesse post vou falar de como é triste a vida de um ser humano, que depois de um "celular esperto", não sabe mais o que fazer quando não o tem mais. Sim, eu sei que é uma tremenda futilidade ser tao viciada em um telefone, mas quem liga? Todo mundo é mesmo. 

Na segunda depois que eu fui assaltada fui na loja tentar comprar um novo, mas me senti tão cretina de dar 2 mil reais (iphone não tem desconto) num telefone menos de um ano depois de ter comprado um em São Francisco. Isso que demorei 4 anos para resolver fazer esse investimento me tomado tão facilmente das mãos numa manhã de sábado. Desde de 2007, quando o brinquedo foi lançado, que eu quero um para mim, mas sempre pensava que não ia dar toda essa grana num celular. Dei, me ferrei. 

Mas agora não sei muito como agir sem ele. Ok, eu sou dramática em alguns momentos dessa vida, mas eu tenho que ter alguma porção mulher, ou de fato, eu ia ser um garoto exceto pela meus cromossomos serem todos X.  Achei genial quando uma amiga hoje estava relatando que um amigo dela está na mesma que eu, com celular vintage que só liga e manda mensagem. Ele diz que todo mundo fica usando iphones e blackberrys para ver facebook, twittar, checar o email e ele olha o celular e a única coisa que pode checar é a hora. Me identifiquei tanto.

Hoje fui curtir o pré-carnaval carioca com umas amigas, e todo mundo tirava foto, postava, estava tão conectada. Agora vejo tudo com um delay de 57 horas e nao posso nem tirar uma fotinho, porque minha máquina pequena quebrou em uma montanha russa do Six Flags, na mesma viagem que comprei minha linda máquina trambolho e meu lindo iphone que não mais me pertence. Como o iphone tinha uma puta camera, não me importei em comprar um máquina nova. E agora sou uma desmaquinada além de desmartphonezada.

Tudo bem que teve uma época da vida que eu não tinha nem celular. A gente marcava na praia e tinha que ser num lugar específico na hora x, porque não tinha como falar com a pessoa se ela não tivesse em casa. Aliás, meu primeiro namorado a gente ainda se encontrava no cinema com horário certo nessa vibe tão século XX.

E agora sofro dessa crise de abstinência. E ainda não me decido se compro um na semana que vem em Londres, ou espero o presente de Natal da empresa que ainda não chegou, mas é um Samsung Galaxy que só falta escrever o whatsapp para você. Aliás que saudade do meu whatsapp... 


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sair correndo


Hoje acordei com uma vontade que não me batia há muito tempo. Uma vontade louca de voltar para casa. Casa! Porque hoje eu me dei conta de que eu acho que talvez eu nunca me sinta em casa aqui em São Paulo e quanto menos temporário isso aqui me parece, mais apavorada eu fico. E acho que estava vivendo no piloto automático, indo para o Rio todo final de semana e achando que mais cedo ou mais tarde eu ia acabar voltando para lá. 
Mas essa semana foi diferente, depois de um ano e meio namorando a distância, meu namorado e eu finalmente voltamos a estar durante a semana no mesmo DDD. E sim, passamos de long distance relationship para super close all the time together relationship. E isso dá medo em si, claro, mas dá mais medo ainda porque nós dois estarmos desse lado da ponte aerea, ganhando bem e vivendo nossas vidas, faz tudo isso aqui parecer tão menos temporário e tão mais assustador. 
Eu não conheço um carioca que ame São Paulo, que não pense todos os dias como o Rio é melhor e, ultimamente, descobri alguns paulistas que pensam a mesma coisa. Porque o Rio é bossa, o Rio é calor o ano todo, o Rio é família, o Rio é amigos de longa data, o Rio sou eu. 
A cidade é a minha cara, porque eu sou a carioca de havaianas e short que ama não usar maquiagem para nada, até porque lá ela derrete e vai parar no meio da sua cara até você chegar a esquina num calor de sensações térmicas de 50 graus. E aqui, eu sou essa estranha no ninho de havaianas e short num domingo a noite em plena Galeria dos Pães cheia de paulistas emperequetadas.  
E hoje me deu vontade de sair correndo, de voltar, de largar tudo isso aqui e voltar para o meu lugar, o lugar onde eu pertenço. Antes que eu comece a me sentir parte de lugar nenhum.
Esse final de semana eu fui assaltada pela primeira vez, na porta da casa dos meus pais, em Copa. E percebi que São Paulo não está me endurecendo, mas sim amolecendo. Eu jamais daria esse mole nas condições normais de temperatura e pressão. E isso me assustou, quando foi que eu pensei que eu podia ficar digitando no meu iphone no meio da rua, assim, de bobeira, e achar que não ia ser assaltada?
Não sei como lidar, só sei que HOJE, HOJE, eu queria sair correndo, de volta para tudo que me é familiar, para tudo que me remete a casa e para a melhor cidade do mundo, porque não importa o quanto eu ame viajar, quando eu chego no Rio de Janeiro e vejo o Cristo, o Pão de Açúcar e a Lagoa eu penso que é o lugar mais lindo do mundo e é o único lugar que eu me sinto em casa.